Médico caxiense alerta para os riscos de doenças no sistema vascular causadas pelo cigarro

Cirurgião vascular Vinícius Lain adverte para a dependência à nicotina, que está entre os principais fatores dos problemas arteriais. Para chamar a atenção sobre os malefícios do tabagismo à saúde, Dia Mundial Sem Tabaco é promovido em 31 de maio


O tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano
. Do total, 7 milhões são de usuários diretos do produto e cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, de acordo com o último levantamento do Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária (IECS), 161,8 mil pessoas morrem por ano devido ao tabagismo, ou seja, 443 mortes poderiam ser evitadas por dia no país.

Ainda conforme a IECS, as doenças causadas pelo tabagismo representam 7,8% de todos os gastos anuais em saúde no Brasil, custando mais de R$ 125 bilhões. O montante equivale a 23% do que o país gastou em 2020 para enfrentar a pandemia da Covid-19 (R$ 524 bilhões). E os números poderiam ser ainda maiores, já que os gastos não incluem os custos com ações de prevenção e tratamento ao tabagismo, nem de danos sanitários, sociais e ambientais ocasionados pela produção, assim como não mensuram as operações de combate ao mercado ilegal de cigarros.

Para chamar a atenção da população para os malefícios da dependência à nicotina, seja pelo cigarro convencional, natural, eletrônico ou narguilé, em 31 de maio é promovido o Dia Mundial Sem Tabaco. O hábito não causa apenas danos aos pulmões, mas também apresenta uma série de riscos à saúde vascular, como explica o cirurgião vascular caxiense Dr. Vinícius Lain.

O tabagismo afeta principalmente dois sistemas. O primeiro deles são os pulmões, com a formação de doença pulmonar obstrutiva crônica e, eventualmente, câncer de pulmão. O segundo são as artérias (vasos sanguíneos que saem do coração pela aorta), com o desenvolvimento de uma doença inflamatória chamada de aterosclerose. Seja nos pulmões ou nas artérias, o tabaco é um grande fator de risco que pode levar à morte”, explica o especialista, que também é professor de medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

A aterosclerose é a deposição de placas de gordura e cálcio nas artérias, que geram o entupimento da circulação sanguínea. Segundo Dr. Lain, isso pode acontecer em artérias coronárias, podendo evoluir para um infarto do miocárdio; pode afetar o cérebro, podendo resultar num AVC isquêmico; e em membros inferiores, ocasionando a doença aterosclerótica obstrutiva periférica, com o entupimento das artérias das pernas.

O especialista esclarece que o cigarro prejudica o sistema vascular porque causa uma inflamação na camada que reveste as artérias, chamada de endotélio.

“Além da inflamação ocasionada pelo tabaco, nesta camada acabam sendo agregadas plaquetas, que são substâncias do nosso próprio sangue, e também se desenvolvem nela placas de ateromas, que são componentes do colesterol. Com uma maior espessura na camada, consequentemente, diminui o fluxo sanguíneo, gerando falta de circulação”, detalha o cirurgião vascular.

 

Principais queixas são em pacientes acima dos 60 anos

O médico e professor de medicina Vinícius Lain conta ainda que no caso da aterosclerótica obstrutiva periférica, conhecida popularmente como má circulação, as principais queixas apresentadas pelos pacientes estão nas dores na panturrilha desencadeada pelo exercício físico, seja em caminhadas ou atividades mais extenuante. A doença também está muito presente em pessoas que têm feridas nas pernas e não cicatrizam.

“A principal manifestação clínica é em pacientes acima dos 60, 70 anos. O cigarro está diretamente relacionado a formação dessas placas que causam o entupimento das artérias periféricas e, em casos mais graves, aumenta as chances de amputação, principalmente em pessoas mais idosas ou aquelas que sofrem com diabetes”, alerta o cirurgião vascular, evidenciando que as consequências do consumo da nicotina ao longo da vida são manifestadas na terceira idade.

“Hoje em dia a amputação é um tratamento bastante raro, principalmente em pacientes não diabéticos. Se identificado o problema precocemente, conseguimos reestabelecer o fluxo sanguíneo, desde as coronárias até o cérebro ou perifericamente, revertendo a situação. Mas é fundamental que o paciente seja avaliado por um cirurgião vascular para ver se existem entupimentos na circulação ou até mesmo risco de perda de membro”, completa Dr. Lain.

Doença silenciosa pode ser acelerada pelo cigarro

Outra enfermidade vascular que é agravada pelo cigarro é o crescimento dos aneurismas de aorta abdominal, em que há a dilatação anormal da maior artéria do corpo, chamada de aorta, que passa na altura do umbigo, como informa Dr. Vinícius Lain.

 

Segundo o cirurgião vascular, apesar da causa específica da doença ser desconhecida cientificamente, se sabe que o cigarro não é o principal fator causador do aneurisma. Entretanto, nos pacientes que fumam, há observação clínica quanto ao crescimento acelerado do aneurisma e a ruptura mais precoce comparado aos que não fumam.

“Quando falamos de aneurismas de aorta abdominal, falamos de uma doença totalmente silenciosa, que é detectada casualmente por outros exames feitos no abdômen, como a ecografia. É um doença extremante grave, que pode ser fatal em caso de ruptura. Menos de 10% dos pacientes sobrevivem nas situações de rompimento, por isso é fundamental identificar precocemente”, alerta o especialista, complementando que entre os principais indícios para o desenvolvimento está a genética.

Menos conhecidos que os aneurismas cerebrais, o aneurisma de aorta abdominal podem se manter estáveis durante anos, mas em alguns crescem rapidamente.

“De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), cerca de 5% da população masculina, acima de 55 anos, apresenta a doença. Já entre as mulheres, o número cai para 1%”, revela Dr. Lain, que participou nos dias 20 e 21 de maio do Simpósio de Aorta, no Rio de Janeiro, e que também esteve no congresso Aorta Summit, que ocorreu em abril, nos Estados Unidos.

Pela grande maioria das pessoas que tem aneurisma não apresentarem nenhum sintoma físico, é recomendado que pessoas acima de 50 anos peçam para que o médico inclua em seu check-up periódico um ultrassom com a finalidade de detectar a doença ou não. Já em pacientes com histórico de aneurisma de aorta abdominal na família, devem fazer um acompanhamento contínuo junto com um médico cirurgião vascular.

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